
Evento acontece entre os dias 18 e 19 de junho e reunirá estudantes, especialistas e economistas
As mulheres no centro da discussão da economia brasileira. Este é o objetivo do IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade, que acontece entre os dias 18 e 19 de junho, na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), na Av. Joaquim Nabuco, nº 1919, Centro.
Para a economista e pós-doutora em Desenvolvimento Regional, Michele Aracaty, o papel da mulher economista tem a premissa de ser estratégico e multifatorial, além de ser capaz de alcançar outras mulheres que precisam ser incluídas na discussão econômica.
“O evento irá contribuir para transformar a realidade econômica local. Nós, mulheres economistas, combatemos a sub-representação feminina e traçamos estratégias focadas na economia do cuidado, fortalecimento de negócios e na bioeconomia, especialmente trabalhando a independência financeira das nossas mulheres amazonenses”, destacou.
Importância da centralização feminina no debate
Segundo a economista, as mulheres ainda recebem 22% a menos que os homens no mercado de trabalho e lutam em uma dupla jornada, pois também estão inseridas em um contexto de liderança e chefia de seus lares.
“A economista, nesse cenário, atua como agente de transformação, observando fatores ligados à educação financeira e desenvolvimento de políticas públicas, além de ser uma mulher como figura central nessa análise estrutural”, destacou.
Durante o evento, Michele debaterá o tema “Educação Econômica e Desenvolvimento Sustentável” no cenário atual das mudanças climáticas que permeiam o mundo. Para Michele, a integração entre os dois temas permite transformar padrões de consumo e produção, direcionando o foco para o bem-estar social a longo prazo e não somente aos ganhos imediatos.
“Temos a possibilidade de transformar hábitos diários em escolhas estratégicas. Na prática, a sociedade vai sentir o impacto na redução do desperdício, na queda do endividamento e também na preservação dos recursos naturais, uma vez que estaremos fortalecendo a economia local de forma mais circular e consciente”, acrescentou.
Mulheres no topo da inadimplência
De acordo com um levantamento do Serasa, ao longo da última década, as mulheres passaram a ser maioria entre os inadimplentes no Brasil. Em 2016, elas representavam 49,8% do total, enquanto os homens representavam 50,2%. Hoje, somam 50,5%, enquanto eles respondem por 49,5%.
Essa inadimplência também pode ser explicada pela participação, cada vez maior, das mulheres nas finanças da casa. Uma pesquisa do Serasa apontou que, quanto menor a renda familiar, mais a mulher assume sozinha a responsabilidade pelas finanças do lar.
Na pesquisa, 43% das mulheres das classes D e E são as únicas responsáveis pelas finanças dos lares; número que cai para 18% nas classes A e B. Pelo menos 40% das mulheres relataram preocupação com as dívidas no momento de organizar o orçamento familiar.
Fotos: Divulgação/Assessoria