Por Redação | Amazônia Realidade
Atividades transformam o preparo de refeições em momento de aprendizado e acolhimento. (Foto: Divulgação/SES-AM)
Para muitos adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o momento das refeições pode ser um grande desafio. A rejeição a alimentos por causa de textura, cheiro, cor ou sabor é comum e pode prejudicar o desenvolvimento e a qualidade de vida. No Centro de Atenção Integral Juventude TEA, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), a alimentação é trabalhada de forma terapêutica: o preparo das refeições se torna oportunidade de aprendizado, autonomia e descobertas.
Em homenagem ao Dia do Nutricionista, a unidade destaca estratégias que vão além de orientar hábitos: elas aproximam os jovens dos alimentos de forma gradual e respeitosa.
Como funcionam as oficinas
Nas atividades culinárias, os adolescentes conhecem ingredientes, participam de todas as etapas do preparo e são estimulados a experimentar novos sabores em um ambiente seguro.
Segundo a nutricionista Rafaela Melo, o trabalho começa ouvindo as famílias:
“Nosso primeiro passo é conversar com os pais para entender como funciona a alimentação em casa. Eles relatam dificuldades, o que os filhos aceitam ou rejeitam. Essas informações são fundamentais para planejarmos estratégias individualizadas”.
Muitos jovens não tiveram acompanhamento especializado na introdução alimentar, o que levou a restrições cada vez maiores.
“Respeitamos esse processo e trabalhamos sem imposições. A degustação acontece de forma espontânea, quando o adolescente se sentir preparado”, explica a profissional.
Família como parceira essencial
O cuidado não termina na oficina. Por meio do Programa de Apoio e Fortalecimento Familiar (PROAF), os pais recebem orientações sobre rotina, formas de apresentar alimentos e estratégias para aplicar em casa.
Para a gerente administrativa Michelle Lima, “pequenas mudanças na rotina podem representar grandes avanços quando existe parceria entre a equipe e a família”.
Impacto na saúde e autonomia
O diretor Juliano Botero lembra que a alimentação influencia diretamente o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.
“O trabalho da equipe de Nutrição é humanizado, integrado às demais terapias e busca autonomia e bem-estar”.
O secretário de Saúde Luís Alberto Saraiva ressalta que a iniciativa reforça o compromisso com uma assistência integral:
“Investir em ações que unem conhecimento técnico, acolhimento e participação da família é oferecer cuidado de qualidade às pessoas com TEA”.
Além de reduzir a seletividade, o acompanhamento busca corrigir deficiências nutricionais, favorecer o desenvolvimento, melhorar a saúde intestinal e estimular a autonomia durante as refeições.
Com informações da assessoria