Por Redação | Amazônia Realidade
RC Soares foi preso com 2,5 toneladas de entorpecentes e mantinha vínculo público com a campanha da candidata — Foto: Reprodução / Redes Sociais
Um caso de grande gravidade abalou a disputa eleitoral no Amazonas nesta sexta-feira (4/9). A Polícia Civil apresentou cerca de 2,5 toneladas de drogas apreendidas em operação que resultou na prisão preventiva de Rodrigo Soares, conhecido como RC Soares, investigado há dois anos por tráfico internacional e nacional de entorpecentes. O material foi encontrado dentro de um caminhão em imóvel ligado ao investigado, e a prisão foi decretada pela Justiça. O que mais chama a atenção é que RC Soares se apresentava publicamente como coordenador da campanha de Maria do Carmo (PL) ao Governo do Amazonas.
Vínculo público e institucional
RC Soares comandava o Instituto União, com sede no bairro Aleixo, em Manaus. Em publicações nas redes sociais, a entidade aparecia como parceira na divulgação de ações políticas de candidatos do PL, entre eles a própria Maria do Carmo, o candidato ao Senado Alberto Neto e o candidato a deputado federal Alfredo Nascimento. O próprio investigado usava seus perfis para se identificar como integrante e coordenador da estrutura de campanha da candidata.
A relação é confirmada por registros visuais: a própria Maria do Carmo publicou foto ao lado de RC Soares em suas redes sociais. Até o momento, a imagem continua disponível no perfil da candidata, mesmo após a prisão, realizada pelo diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), delegado Rodrigo Torres. Não há informação sobre quando ou como se deu a aproximação, nem sobre qual era a função efetiva de Soares na estrutura da campanha.
Histórico de mensagens ligadas ao crime organizado
O episódio reacende também outra polêmica envolvendo a candidata: há cerca de duas semanas, ela republicou em suas redes sociais uma mensagem atribuída a uma facção criminosa, que proibia manifestações de apoio ao ex-governador e candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) e ao candidato a deputado federal Tadeu de Souza (Progressistas) em áreas dominadas pelo grupo. O trazia ameaças explícitas contra quem apoiasse os adversários.
Após forte repercussão negativa, a publicação foi apagada. Wilson Lima anunciou que levou o fato ao conhecimento da Polícia Civil, Polícia Federal, TRE-AM e Ministério Público Federal, classificando a atitude como gravíssima e uma afronta ao processo democrático.
Silêncio da candidata
Até a publicação desta matéria, Maria do Carmo não se pronunciou sobre a prisão de RC Soares, nem sobre o vínculo público dele com a campanha ou com o Instituto União. Também não deu explicações sobre a manutenção da foto em seu perfil, nem sobre as ligações que o caso pode revelar. A defesa de RC Soares também ainda não se manifestou sobre as acusações de tráfico que motivaram a prisão preventiva.
O caso levanta questionamentos sobre critérios de segurança, transparência e responsabilidade na formação de equipes de campanha, tema que já foi abordado em reportagens anteriores sobre regras de conduta e vínculos políticos.
As investigações seguem em andamento e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades competentes.
Com informações da Polícia Civil do Amazonas e redes sociais
