Manifestação na Avenida Paulista pede justiça sete anos após o rompimento dabarragem em Brumadinho. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Por Redação Amazônia Realidade
Um ato realizado neste domingo (25), na Avenida Paulista, em São Paulo, relembrou os sete anos da tragédia de Brumadinho e cobrou justiça para as 272 vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido em Minas Gerais.
A mobilização reuniu familiares das vítimas, ativistas ambientais e crianças em uma ação simbólica voltada à memória, à denúncia e à preservação ambiental.
Somado a isso, o evento reforçou críticas à ausência de responsabilização criminal e à lentidão no processo de reparação dos atingidos.
Memória construída com barro, sementes e silêncio
Sentadas no chão da avenida, crianças moldavam argila e acomodavam sementes em pequenos vasos, em um gesto simbólico de vida e reconstrução.
Nesse sentido, a atividade buscou transformar dor em aprendizado, conectando as novas gerações à história da tragédia e à urgência de proteger o meio ambiente.
O ato foi promovido pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado em homenagem aos filhos de Helena Taliberti, mortos após a pousada onde estavam ser engolida pelos rejeitos.
Mãe de vítimas denuncia tragédia anunciada
Em entrevista à Agência Brasil, Helena afirmou que o rompimento poderia ter sido evitado.
De acordo com ela, investigações indicaram que a empresa tinha conhecimento dos problemas estruturais da barragem, mas não realizou a manutenção necessária.
Por isso, Helena reforça que a ausência de uma sirene de alerta no momento do rompimento foi decisiva para o elevado número de mortes.
Meio ambiente começa dentro das cidades
Ao mesmo tempo em que cobra justiça, Helena destaca a importância da educação ambiental desde a infância.
Segundo a ativista, São Paulo está inserida na Mata Atlântica, mas preserva apenas 12% do bioma original.
Diante desse cenário, ela defende a criação de áreas verdes urbanas como forma de garantir qualidade de vida e equilíbrio ambiental.
Sirene que não tocou virou símbolo da omissão
Às 12h28, horário exato do rompimento da barragem em 2019, uma sirene foi acionada na Paulista como forma de lembrar o alerta que nunca soou em Brumadinho.
Como consequência, o gesto reforçou a denúncia de negligência e a cobrança por mudanças nos protocolos de segurança da mineração no país.
Além disso, Helena lembrou que Mariana, em 2015, já havia sido um aviso ignorado pelas autoridades e pela empresa.
Sete anos depois, justiça ainda não veio
Passados sete anos da tragédia de Brumadinho, ainda não houve condenações criminais pelo caso.
Atualmente, um processo tramita na Justiça de Minas Gerais e julga 15 pessoas envolvidas no episódio.
Ainda assim, familiares afirmam que a reparação tem sido lenta e insuficiente para quem perdeu casas, lavouras, animais e vínculos comunitários.
Impunidade abre caminho para novas tragédias
Para Helena, não existe reparação possível para a perda de vidas, mas é dever do Estado garantir justiça e responsabilização.
Nesse contexto, ela alerta que a impunidade cria condições para que crimes ambientais se repitam no Brasil.
Por fim, a ativista reforça que manter viva a memória de Brumadinho é uma forma de proteger o futuro.
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