Educação que nasce da floresta: povos originários fortalecem o futuro por meio do saber. Foto: Genildo Mura/Semind – Borba
Por Paulo Paixão | Amazônia Realidade
Muito antes da chegada dos colonizadores, antes das fronteiras impostas e das divisões políticas, os povos originários já habitavam a Amazônia.
Guardiões da floresta, dos rios e dos saberes ancestrais, eles seguem resistindo e avançando, agora com a educação como uma das principais ferramentas para garantir autonomia, dignidade e futuro às novas gerações indígenas.
União de etnias por um propósito comum
O Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena é fruto da articulação do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas, representado pela professora Alva Rosa, do povo Tucano, em parceria com 33 organizações indígenas do estado.
O evento foi realizado entre os dias 26 e 30 de janeiro de 2026, na Chácara Abraço Verde, no bairro Flores,
em Manaus, reunindo mais de 400 indígenas de 33 povos do Amazonas.
Educação no território, com identidade
Um dos principais objetivos do encontro foi a apresentação de projetos voltados à implantação do Ensino Médio Presencial Indígena nos próprios territórios, como resposta coletiva à não aceitação do modelo de ensino mediado por tecnologia.
Para os povos indígenas, educar não é apenas transmitir conteúdo, mas garantir presença, diálogo, cultura viva e pertencimento, respeitando as realidades locais de cada aldeia.
Universidades e formação de professores indígenas
O encontro também promoveu diálogo direto com universidades e instituições de ensino, apresentando propostas de licenciaturas específicas para povos indígenas, garantindo formação adequada para que professores indígenas atuem em suas próprias comunidades.
Estiveram presentes representantes da UFAM, UEA, IFAM, CETAM, além de órgãos como o DSEI, SEDUC, MEC, FUNAI, COIAB, Ministério Público Federal
e o Ministério dos Povos Indígenas.

Borba presente na luta etnoeducacional
O município de Borba marcou presença por meio da Coordenação de Educação Escolar Indígena, com lideranças do povo Munduruku, da Terra Indígena Kwatá-Laranjal, e representantes
do povo Mura, da Terra Indígena Cunhã-Sapucaia.
Participaram do encontro a coordenadora Maria Vanilsa, da SEMED Borba, e o professor Genildo Mura, da Secretaria de Interior e Assuntos Indígenas (SEMIND), além de lideranças do território etnoeducacional do Baixo Médio Rio Madeira.
“Um marco histórico para a educação indígena”
“A participação nesse encontro representa um marco histórico da continuidade das lutas indígenas
pela melhoria da qualidade do ensino. A partir desses alinhamentos, é possível construir documentos
oficiais com a participação direta dos povos indígenas, contando com o apoio das universidades,
organizações indígenas e do poder público.”— Prof. Genildo Mura
O professor também destacou o apoio da Prefeitura Municipal de Borba,
da Secretaria Municipal de Educação e da SEMIND, que garantiram a logística necessária para a participação no evento.
Educar é resistir, formar é permanecer
O Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena reafirma que a educação é território, identidade e resistência. Fortalecer a educação nas aldeias é fortalecer a Amazônia
e garantir que os povos originários sigam sendo protagonistas do próprio futuro.
Colaborou: Genildo Mura
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