Por Redação Amazônia Realidade
O Amazonas ficou mais triste neste domingo, 22 de fevereiro de 2026. A professora Angela Neves Bulbol de Lima, uma das figuras mais respeitadas e queridas da administração pública e da academia amazonense, não resistiu aos graves ferimentos sofridos em um acidente na última sexta-feira (20) e faleceu no início da noite. A notícia, que já havia causado comoção com os primeiros e confusos boletins médicos, agora se confirma deixando uma lacuna imensurável na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e nas secretarias de estado por onde passou.
A família Bulbol, em sua nota de pesar, pede para que o foco não esteja na dor da despedida precoce, mas na celebração de uma vida dedicada ao próximo. E que vida. Angela Bulbol não foi apenas uma gestora; foi uma construtora de pontes entre o saber acadêmico e a prática da gestão pública
A “professora” que ensinou o Amazonas a gerir com excelência
Para entender a comoção que toma conta do estado, é preciso mergulhar na trajetória de Angela. Sua história com o serviço público começou cedo, em 1987, quando ingressou como professora na Universidade Federal do Amazonas . Ali, ela encontrou seu palco. Doutora em Ciências da Informação e Marketing, mestre em Desenvolvimento Regional e com especializações de peso no INSPER e na FGV, Angela não se contentava em apenas repassar conteúdo . Ela inspirava.
Na UFAM, foi chefe do Departamento de Administração e, desde 2021, ocupava o cargo de Pró-Reitora de Administração e Finanças, função na qual aplicava sua visão estratégica para o crescimento da instituição . Colegas a descrevem como uma líder nata, capaz de unir a rigidez técnica da administração com a sensibilidade de quem enxergava o servidor público como agente de transformação social.
A marcante passagem pela gestão pública estadual
Fora dos muros da universidade, Angela Bulbol também deixou sua marca registrada. Sua competência a levou a cargos de alta direção no Governo do Estado. Como Secretária de Estado de Administração e Gestão (SEAD) entre 2017 e 2018, no governo Amazonino Mendes, Angela foi a mente por trás de projetos que modernizaram a máquina pública .
Foi na SEAD que ela idealizou e lançou o projeto “Escola Governar”, um marco na valorização do servidor. Na ocasião, ela definiu seu trabalho com uma frase que hoje ecoa como seu testamento profissional: “Apostamos no futuro e isso passa pela valorização do servidor público, das suas ideias, das suas experiências e de sua imagem perante a sociedade” . Angela acreditava que “fazer mais com menos recursos” era possível através da capacitação e da inovação .
Antes disso, já havia presidido a Fundação Escola do Serviço Público Municipal (Fesp), em Manaus, sempre com o mesmo objetivo: formar pessoas para servir melhor a população .
A autora de si mesma e o coração solidário
Nos últimos anos, Angela Bulbol surpreendeu aqueles que a conheciam apenas como a gestora técnica ao lançar seu lado mais íntimo. Em novembro de 2025, ela estreou na literatura com o livro “Autobiografia Criativa” , uma obra que combinava memórias, música e a alma de uma mulher completa .
Dividido em quatro partes – Professora, Gestora Pública, O Coração e a Coragem, e A Mulher Inteira – o livro era uma verdadeira radiografia de seus valores . Revelando um gesto de generosidade que transcendeu sua vida pública, Angela destinou toda a renda da venda da obra ao Lar Batista Janell Doyle, instituição que acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em Manaus . Isso não foi um gesto isolado; foi a síntese da mulher que sempre colocou o cuidado com o próximo acima de tudo.
A fatalidade e a consternação geral
O acidente que vitimou Angela ocorreu na tarde de sexta-feira (20), dentro do condomínio Ephigênio Salles, na zona Centro-Sul, para onde ela havia se mudado recentemente. Segundo informações apuradas, a professora caminhava quando foi atingida por um veículo conduzido por uma amiga, a também ex-gestora pública Mônica Melo . O impacto causou um grave trauma na cabeça . Após dias de intensa luta e procedimentos cirúrgicos, seu coração, que sempre teve a coragem como guia, silenciou .
A comoção tomou conta das redes sociais. Ex-alunos, colegas de universidade e adversários políticos interromperam suas diferenças para se unirem em solidariedade à família. A Universidade Federal do Amazonas deve decretar luto oficial.
A família Bulbol agradece as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses dias de angústia e agora de dor. O velório será realizado em local a ser divulgado, restrito a familiares e amigos íntimos, conforme desejo da família.
Angela Bulbol nos deixa fisicamente, mas seu legado está vivo em cada servidor que ela capacitou, em cada aluno que ela inspirou e em cada criança do Lar Batista que sentiu seu afeto. Como bem escreveu em seu livro, ela viveu como uma “mulher inteira”. Que descanse em paz.