Maior estado da Amazônia Legal vivencia desafios e barreiras no protagonismo feminino
Elas são maioria no Amazonas, representando um total de 50,1% da população do estado, de acordo com o Censo 2022. As mulheres amazonenses vivem no maior estado do Brasil, com o 16º maior PIB do país, mas ainda enfrentam desafios para alcançar autonomia financeira e terminar os estudos. Mesmo com barreiras geográficas ocasionadas pelas longas distâncias na zona rural, elas desempenham um papel vital na inovação, bioeconomia e ciência.
A realidade das amazonenses é a mesma de muitas mulheres que residem no território da Amazônia Legal. De acordo com um estudo feito pelo Instituto Amazônia 2030, baseado em dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE de 2012 e 2021, as mulheres da região são mais escolarizadas, porém também são as que dominam a maior taxa de desemprego.
O levantamento contou com entrevistas de cerca de 211 mil domicílios em cada trimestre, sendo 36 mil na Amazônia Legal, e apontou que 60% das mulheres que compõem a População Economicamente Ativa (PEA) têm ensino médio. Porém, a taxa de ocupação delas no mercado de trabalho é de apenas 42,4%. Em relação ao ensino superior, 26,1% das mulheres ocupadas tinham ensino superior completo, enquanto os homens representam 12,8%.
Impacto na renda
Mais escolarizadas e mais atuantes na informalidade. O estudo também aponta que parte das mulheres ocupadas (36,2%) na região se emprega sem carteira de trabalho assinada, 12,5 pontos percentuais a mais do que os homens (23,7%).
Para a pesquisadora e pós-doutora em Desenvolvimento Regional, Michele Aracaty, o cenário econômico seria mais favorável com a aplicação de políticas públicas voltadas também para a sustentabilidade e conceitos modernos de economia em áreas mais remotas e de difícil acesso.
“Isso seria possível com a implementação da economia do século XXI, que é a economia verde, pautada diretamente na bioeconomia, ou seja, na identificação e ampliação das cadeias produtivas dos produtos da floresta. Só assim é possível você imaginar que a gente possa reduzir as vulnerabilidades sociais e econômicas, levando em consideração a necessidade de você conservar a floresta em pé e gerar emprego e renda a partir dos conhecimentos tradicionais e científicos”, destacou.
Investimento na ciência
Desde a criação do movimento ‘Mulheres e Meninas na Ciência’, em 2020, o Amazonas é um dos estados que vivencia um novo cenário na área de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). De 2021 a 2024, foram investidos R$ 22.958.442,25 em editais exclusivos para cientistas mulheres do estado para fomentar pesquisas desenvolvidas na capital e em 14 municípios do interior.
O reflexo pode ser visto no número de pesquisadoras com cadastro ativo na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam): elas representam 60% das mestrandas. No doutorado, também lideram, ocupando 53% das vagas. No total, ao longo de seis anos, 12.126 projetos foram coordenados por mulheres.
“São as pesquisadoras amazônidas que observam as especificidades da região e vão em busca de soluções baseadas no conhecimento científico e no conhecimento tradicional e isso contribui para a redução da desigualdade de gênero na região. A Amazônia não se sustenta sem o trabalho das mulheres pesquisadoras”, acrescentou Michele Aracaty.
Na Amazônia, mulheres cientistas atuam diretamente no monitoramento e conservação, utilizando tecnologias e conhecimentos locais para lutar contra os impactos ambientais. Portanto, capacitar mulheres da floresta é abrir caminhos para que seus conhecimentos e talentos se convertam em renda, escolhas e protagonismo em prol do futuro da região.
Tradição e inovação como caminhos para crescimento
A união entre tradição e inovação pode ser considerada um caminho promissor para o futuro das mulheres amazônidas, levando em consideração o potencial da biodiversidade e sustentabilidade como fontes de renda.
Considerando o contexto histórico da luta feminina, é preciso olhar para a mulher amazônida a partir da sua realidade e história de vida para promover mudanças na sua trajetória pessoal e profissional. A partir disso, expandir os avanços para a comunidade, saúde, ciência e educação regional passa a ser uma realidade e não mais a idealização de uma classe.
FOTOS: Divulgação/Assessoria