
Por Redação Amazônia Realidade
O Brasil busca ampliar parcerias com países europeus para explorar minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. A proposta inclui cooperação tecnológica e participação do país em todas as etapas da cadeia produtiva.
A estratégia foi apresentada pelo embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante encontro com jornalistas em Hannover, no norte da Alemanha. O evento ocorreu durante a apresentação da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo.
Segundo o diplomata, a expectativa é que a cooperação com países europeus vá além da exportação de matéria-prima e permita ao Brasil agregar valor à produção mineral.
Transferência de tecnologia é prioridade
De acordo com o embaixador, o Brasil quer evitar um modelo tradicional baseado apenas na exportação de minerais brutos. A intenção é fortalecer a indústria nacional e ampliar a presença do país na cadeia global de suprimentos.
“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos. Precisamos pensar na agregação de valor no Brasil e na transferência de tecnologia”, afirmou Baena Soares.
O diplomata destacou ainda que o país possui grandes reservas desses recursos estratégicos, mas ainda não ocupa posição de destaque na extração e no refino de alguns minerais importantes.
Minerais estratégicos para tecnologia e energia
Os chamados minerais críticos são considerados essenciais para setores estratégicos da economia mundial. Eles são utilizados em tecnologias ligadas à transição energética, à indústria digital e também à defesa.
Entre os principais recursos estão lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as chamadas terras raras, grupo composto por 17 elementos químicos utilizados na produção de equipamentos de alta tecnologia.
De acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui cerca de 94% das reservas mundiais de nióbio e aproximadamente 23% das reservas globais de terras raras.
Esses elementos são utilizados, por exemplo, na produção de turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e equipamentos aeroespaciais, como satélites e foguetes.
Hannover Messe terá Brasil como país parceiro
A edição deste ano da Hannover Messe ocorrerá entre os dias 20 e 24 de abril e terá o Brasil como país parceiro do evento. A feira reúne representantes da indústria, tecnologia e inovação de centenas de países.
Durante o encontro, cerca de 140 empresas brasileiras devem apresentar tecnologias e soluções industriais para o mercado europeu.
Além disso, o governo brasileiro pretende realizar um evento paralelo voltado especificamente ao debate sobre minerais críticos e o potencial mineral do país.
“Vamos apresentar as potencialidades do Brasil também nessa área”, antecipou o embaixador.
Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona diálogo
O fortalecimento das relações comerciais ocorre em um momento de avanço no acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
O tratado prevê a redução gradual de tarifas comerciais entre os dois blocos. Pelo acordo, o Mercosul deverá eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus exportados para a América do Sul em até 15 anos.
Já a União Europeia deverá retirar tarifas sobre 95% dos produtos importados do Mercosul em até 12 anos.
Apesar de resistências em alguns países europeus, como a França, a Alemanha tem se mostrado uma das principais defensoras do acordo comercial.
Brasil e Alemanha ampliam cooperação econômica
Durante o encontro com jornalistas, o embaixador também destacou que a feira tecnológica será uma oportunidade para fortalecer as relações econômicas entre Brasil e Alemanha.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a corrente de comércio entre os dois países alcançou cerca de US$ 20,9 bilhões em 2025.
Atualmente, a Alemanha é o terceiro maior exportador para o Brasil e ocupa a 11ª posição entre os principais compradores de produtos brasileiros.
Além disso, o país europeu está entre os dez maiores investidores no Brasil, com aproximadamente 40 bilhões de euros em investimentos diretos e mais de mil empresas alemãs instaladas em território brasileiro.
Fonte: Informações divulgadas pela Agência Brasil.