De acordo com o Banco Central, o corte da Selic dependerá do cenário de desaceleração da inflação, estimada para este ano entre 3% e 4,5%.
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Por Redação Amazônia Realidade
O corte da Selic foi confirmado pelo Banco Central (BC) para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. No entanto, a autoridade monetária deixou claro que, mesmo com a redução, os juros continuarão em patamar restritivo para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A informação consta na ata divulgada nesta terça-feira (3), referente à última reunião do Copom, quando a taxa básica foi mantida em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva.
Corte da Selic dependerá do cenário da inflação
Segundo o BC, o início do corte da Selic está condicionado à confirmação do cenário de desaceleração da inflação e aos efeitos já percebidos da política monetária atual. A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para este ano, a previsão do mercado financeiro para o IPCA está em 3,99%, dentro do intervalo permitido.
De acordo com a ata, a autoridade monetária reforçou que o ritmo e a magnitude do ciclo de redução dependerão da evolução de fatores que garantam maior confiança no cumprimento da meta.
Juros seguem no maior nível desde 2006
A taxa Selic permanece no maior patamar desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. O BC utiliza a Selic como principal instrumento para controlar a inflação, pois juros elevados encarecem o crédito, reduzem o consumo e estimulam a poupança.
Por outro lado, taxas elevadas também podem frear a expansão econômica. Ainda assim, o Comitê avalia que a estratégia atual tem sido adequada.
Como destacou a Agência Brasil, o Banco Central demonstra cautela ao equilibrar o combate à inflação com a preservação da atividade econômica.
Mercado de trabalho e atividade econômica
O BC apontou que a manutenção de juros restritivos ocorre devido à resiliência de fatores que ainda pressionam os preços, especialmente o dinamismo do mercado de trabalho, com desemprego em níveis historicamente baixos e aumento da renda real acima da produtividade.
Enquanto isso, a atividade econômica mostra sinais de moderação, embora ainda opere acima do potencial de expansão sem gerar pressões inflacionárias relevantes.
Setores mais sensíveis às condições financeiras já apresentam desaceleração. Em contrapartida, setores ligados à renda mantêm maior resistência.
Cenário externo e contas públicas influenciam decisão
O ambiente internacional segue incerto, especialmente devido à política econômica dos Estados Unidos e às tensões geopolíticas. Por isso, o BC reforça a necessidade de cautela por parte de países emergentes.
No cenário interno, a saúde fiscal também é considerada essencial. O Copom destacou que políticas previsíveis e disciplina nas contas públicas ajudam a reduzir o chamado “prêmio de risco”, que influencia diretamente o nível dos juros.
Segundo a última edição do Boletim Focus, a expectativa do mercado é que a Selic caia para 14,5% em março e alcance 12,25% ao final de 2026.
Por fim, o Banco Central reiterou que a condução da política monetária continuará sendo guiada por critérios técnicos, previsibilidade e responsabilidade fiscal.
Fonte: Agência Brasil