
Por Redação | Amazônia Realidade
A regulamentação da internet para proteção de crianças voltou ao centro do debate após o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, relatar que passou a receber ameaças nas redes sociais. Os ataques começaram depois que a plataforma de jogos Roblox anunciou mudanças que restringem o uso do chat por crianças e adolescentes.
Segundo Felca, as mensagens chegaram por meio de seu perfil no Instagram e teriam sido enviadas por usuários que se identificam como crianças. Em uma das mensagens divulgadas, o autor afirma que o influenciador teria sido responsável por “tirar o chat” da plataforma, chegando a fazer ameaças diretas.
Diante desse cenário, o episódio evidencia os riscos do ambiente digital e reforça a necessidade de regras claras para proteger crianças e adolescentes na internet.
Mudanças no Roblox ampliam a proteção infantil
No último dia 7, o Roblox anunciou alterações em suas políticas de comunicação com foco na segurança digital de crianças e adolescentes. A partir das novas regras, os usuários precisam verificar a idade e só podem conversar com pessoas de faixas etárias semelhantes.
Ademais, crianças menores de 9 anos só poderão acessar a plataforma com autorização dos responsáveis. Já usuários a partir de 13 anos poderão utilizar o chat apenas com perfis de idade próxima.
Com isso, a empresa afirma que busca reduzir riscos como assédio, aliciamento e exposição a conteúdos inadequados, problemas recorrentes em ambientes digitais frequentados por crianças.
Influenciador vira alvo mesmo sem relação com a decisão
Apesar de não ter qualquer ligação direta com as decisões adotadas pela plataforma, Felca passou a ser alvo de críticas, protestos virtuais e ameaças. Durante manifestações dentro do Roblox, o nome do influenciador apareceu em cartazes e publicações contrárias às novas regras.
Nesse sentido, especialistas avaliam que o episódio revela a importância da educação digital e da mediação responsável nas plataformas, sobretudo quando o público é majoritariamente infantil.

Adultização infantil reforça debate sobre regulamentação da internet
Felca ganhou notoriedade nacional ao denunciar a adultização infantil nas redes sociais, alertando para a exposição precoce de crianças e adolescentes a comportamentos, linguagens e situações típicas do universo adulto, muitas vezes com conotação sexualizada.
A repercussão do tema contribuiu para a aprovação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados que combate a adultização infantil no ambiente digital. De modo semelhante, a proposta fortalece o debate sobre a regulamentação da internet voltada à proteção de crianças e adolescentes.
Além disso, a discussão está alinhada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante a proteção integral desse público contra qualquer forma de violência, inclusive no meio virtual.
Responsabilidade do Estado e das plataformas digitais
Um ponto que merece atenção é o papel do Ministério da Justiça e Segurança Pública na fiscalização de práticas abusivas e na formulação de políticas públicas voltadas à proteção infantil na internet.
Somado a isso, especialistas defendem que as plataformas digitais também precisam assumir maior responsabilidade, investindo em moderação eficiente, transparência e mecanismos que priorizem a segurança dos usuários mais vulneráveis.
Internet segura é dever coletivo
O episódio envolvendo Felca e o Roblox demonstra que a regulamentação da internet para proteção de crianças não representa censura, mas sim uma ferramenta essencial para garantir direitos, prevenir abusos e promover um ambiente digital mais seguro.
Assim, a proteção de crianças e adolescentes na internet depende da atuação conjunta do poder público, das empresas de tecnologia, das famílias e da sociedade civil.
FotoRoblox Corporation/Divulgação e Reprodução/Redes Sociais Felca
Fonte: ICL Notícias