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Prefeitura alerta para riscos de usar IA em saúde mental

Especialistas explicam que chatbots não têm vínculo humano e podem agravar condições como ansiedade e depressão, isolando ainda mais o usuário.

by Editor
19 de janeiro de 2026
in Destaque, Saúde
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Por Redação | Amazônia Realidade

Campanha Janeiro Branco alerta para riscos do autoatendimento Foto: Divulgação/Semsa

A Prefeitura de Manaus emitiu um alerta oficial nesta terça-feira (20) sobre os riscos de usar IA para saúde mental. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) adverte que utilizar chatbots e ferramentas de Inteligência Artificial (IA) como substitutos para suporte emocional ou psicoterapia pode levar ao isolamento emocional e ao agravamento de transtornos como ansiedade e depressão.

Diante desse cenário, a campanha Janeiro Branco ganha ainda mais relevância na capital. Somado a isso, a Semsa reforça a importância de buscar ajuda profissional na Rede Pública de Saúde.

Como a Inteligência Artificial funciona na prática

A IA conversacional analisa padrões em grandes volumes de dados para simular uma conversa. Essa tecnologia, no entanto, esconde perigos da IA na saúde emocional. O psicólogo clínico da Semsa, Edu Honorato, especialista no tema, faz uma ressalva crucial.

“O sistema opera com base em modelos matemáticos. Ainda assim, ele não possui sentimentos, empatia ou consciência”, explica o profissional. De modo semelhante, ele destaca que a tecnologia é incapaz de criar um vínculo terapêutico, elemento fundamental para qualquer processo de cura.

O autoatendimento não é recomendado por especialistas Foto: Divulgação/Semsa

Os riscos ocultos do autoatendimento emocional

O maior perigo, segundo Honorato, é a falsa sensação de cuidado. “A pessoa acha que está sendo acompanhada, mas interage apenas com uma linguagem matemática. A psicoterapia envolve vínculo e responsabilidade clínica, coisas que a IA não tem”, pontua. Esta é uma das principais vulnerabilidades dos chatbots como substitutos terapêuticos.

Além disso, a ferramenta é limitada para emergências. Ela não identifica crises graves, como risco de suicídio ou colapso emocional. Por outro lado, pode prolongar o sofrimento ao não oferecer a intervenção ética necessária. Por fim, o isolamento pode aumentar quando a pessoa substitui o contato humano pelo digital, aprofundando os riscos de usar IA para saúde mental.

Onde buscar ajuda profissional em Manaus

A recomendação oficial é buscar atendimento especializado. A Rede Municipal de Saúde oferece diversas portas de entrada. A primeira delas são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que podem realizar avaliação e encaminhamento.

Ademais, a cidade conta com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para casos mais complexos. Essas unidades atendem pessoas com transtornos graves. Todas integram a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Sinais de que é hora de procurar ajuda

Reconhecer a necessidade de apoio é o primeiro passo. Honorato lista alguns indicadores, como perda de interesse por atividades prazerosas, cansaço emocional constante e irritabilidade.

Alterações no sono e no apetite, pensamentos invasivos e sensação de desesperança também são sinais de alerta. “Quando o sofrimento persiste e começa a atrapalhar a vida, o trabalho ou os relacionamentos, já é hora de procurar ajuda”, orienta o psicólogo, que também é professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Leia também nosso especial sobre a campanha Janeiro Branco.

A tecnologia, contudo, pode ter um papel complementar. Ela é útil para produtividade ou disseminação de informação. No entanto, o especialista é categórico: “Saúde mental não é autoatendimento. É cuidado humano e ético. Nada de conversar com inteligência artificial”. Este alerta reforça a necessidade de cautela com os chatbots como substitutos terapêuticos.

Com informações da Semsa

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