
Dezenas de cruzes homenageiam as vítimas da tragédia de Brumadinho. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Por Redação Amazônia Realidade
A tragédia de Brumadinho será analisada na Justiça após sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, que matou 272 pessoas em Minas Gerais, em janeiro de 2019.
Além disso, o processo pode levar à responsabilização criminal de ex-dirigentes e técnicos envolvidos no desastre.
Diante desse cenário, familiares das vítimas renovam a expectativa por justiça e reparação.
Justiça começa a julgar responsabilidades pelo rompimento
As audiências de instrução estão marcadas para começar em 23 de fevereiro, na 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte.
Somado a isso, vítimas, testemunhas e réus serão ouvidos até maio de 2027.
Ao mesmo tempo, a juíza responsável poderá decidir se o caso seguirá para júri popular.
Por fim, até 15 pessoas podem responder criminalmente pelo rompimento da barragem.
Quem são os possíveis réus no caso Brumadinho
Entre os investigados, estão 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale.
Além disso, quatro funcionários da empresa alemã TÜV SÜD também integram a lista de possíveis réus.
A companhia era responsável por atestar a estabilidade da barragem que se rompeu.
De modo semelhante, o processo questiona falhas técnicas e omissões graves.
Sete anos sem punições reforçam cobrança por justiça
Passados mais de 2.500 dias desde a tragédia, ninguém foi condenado criminalmente.
Ainda assim, familiares seguem cobrando respostas do poder público e das empresas envolvidas.
Nesse sentido, a Associação de Familiares de Vítimas classifica o episódio como uma “tragédia-crime”.
Por outro lado, o caso reacende o debate sobre a lentidão da Justiça brasileira.
Brumadinho e outros desastres ambientais no Brasil
A jornalista Cristina Serra, autora de livro sobre Mariana, destaca semelhanças entre os dois desastres.
Além disso, ela inclui o afundamento do solo em Maceió como parte do mesmo padrão de negligência.
De modo semelhante, em nenhum desses casos houve punição criminal até o momento.
Segundo ela, empresas priorizam lucro e reduzem investimentos em segurança operacional.
Falhas na fiscalização também entram no debate
Para especialistas, órgãos públicos falham ao fiscalizar barragens e grandes empreendimentos.
Somado a isso, muitos processos se baseiam apenas em documentos enviados pelas próprias empresas.
Diante desse cenário, inspeções presenciais acabam sendo raras.
Por fim, cresce a pressão por mudanças estruturais na política de licenciamento ambiental.
O que dizem as empresas envolvidas
Procurada pela Agência Brasil, a Vale afirmou que não comenta ações judiciais em andamento.
A empresa destacou ações de reparação e informou que já executou mais de 80% do acordo judicial.
Além disso, declarou investir em recuperação ambiental e segurança de barragens.
Já a TÜV SÜD afirmou não ter responsabilidade legal pelo rompimento da estrutura.
Ainda assim, declarou solidariedade às vítimas e familiares.
Ato marca memória das vítimas em Brumadinho
Neste domingo, a Avabrum realiza um ato em homenagem às 272 vítimas da tragédia.
O evento ocorre às 11h, no letreiro de entrada da cidade de Brumadinho.
Ao mesmo tempo, familiares e moradores pedem que a tragédia não seja esquecida.
Por fim, a mobilização reforça a luta por justiça e por mudanças efetivas na mineração brasileira.
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