
Economia verde, políticas públicas fortalecidas e criação de planos de enfrentamento integram alternativas sustentáveis
Instituído no ano de 2012, durante Assembleia Geral das Nações Unidas, o dia 21 de março ficou marcado como o Dia Internacional das Florestas e da Árvore. No contexto amazônico, a data se destaca como um período para conscientizar e promover a preservação das áreas verdes e biodiversidade do maior bioma florestal do mundo.
Todos os anos, um tema é escolhido pela ONU para que a discussão seja levantada com um foco. Em 2026, “Florestas e Economias” foi a escolha para direcionar as pautas pelo mundo através de pesquisadores, economistas e ambientalistas.
De acordo com a pesquisadora e pós-doutora em Desenvolvimento Regional, Michele Aracaty, o tema relaciona dois tópicos que muitas pessoas não imaginam que possam caminhar juntos, sobretudo na Amazônia: desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
“O maior desafio da Amazônia em relação às suas florestas é a identificação de um modelo que seja adequado, principalmente, à realidade local e que também possa contribuir para reduzir as vulnerabilidades sociais e econômicas de quem vive da economia da floresta”, destacou.
Com as florestas em pé e preservadas, estima-se que US$ 44 trilhões (mais da metade do PIB mundial) dependam da natureza, incluindo as florestas. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e ainda apontam que o fornecimento de energia, matérias-primas, ecoturismo, entre outras necessidades, também sustentam a população e milhões de empregos em todo o mundo.
O século XXI revisitou um novo modelo econômico mais justo e sustentável, denonimado de “economia verde”. Esta nova economia tem como propósito transformar modelos tradicionais de produção, distribuição e consumo, incorporando princípios de responsabilidade ambiental e eficiência, ao mesmo tempo em que busca mecanismos para mitigar os impactos das atividades econômicas sobre os biomas, gerando benefícios socioeconômicos sustentáveis a longo prazo.
“Através de práticas agrícolas sustentáveis, do uso da tecnologia, de políticas de conservação da natureza, bem como a bioeconomia, é possível preservar a floresta ao mesmo tempo que se promove o desenvolvimento. Nesse caso, chamamos de desenvolvimento sustentável”, acrescentou a pesquisadora.
*Restauração das florestas*
O Brasil tem um passivo de conservação e recuperação de áreas degradadas nos seis biomas de aproximadamente 21 milhões de hectares. A restauração em áreas degradas demanda tempo, mas também traz resultados importantes a longo prazo, como benefícios sociais e econômicos.

Durante a COP 30, foi lançado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), liderado pelo Brasil, com potencial para apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países em desenvolvimento.
A iniciativa destacou a urgência para enfrentar as mudanças climáticas ao redor do mundo e reconheceu o valor dos serviços ecossistêmicos das florestas. Do ponto de vista global, a colaboração entre governos e entidades pode ser um começo para salvar e preservar as florestas ao redor do mundo.
FOTOS: Divulgação/Assessoria