Por Redação | Amazônia Realidade

Conferência da ONU sobre biodiversidade reúne representantes de mais de 200 países — Foto: Arquivo/Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A COP17 da Biodiversidade teve início nesta segunda-feira (16) em Yerevan, capital da Armênia. A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica reúne representantes de mais de 200 países e segue até o dia 30 de outubro. O principal objetivo do encontro é debater estratégias e firmar acordos para enfrentar a crise global da perda de biodiversidade.
Primeira revisão do Marco Global
Além disso, durante esta edição será realizada a primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal, assinado por 196 países. O documento estabelece 23 metas a serem alcançadas pelas nações até 2030. No entanto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que os compromissos assumidos continuam longe de ser cumpridos.
Por um lado, houve avanços como a definição de metas nacionais por quase todos os países signatários e a proteção legal de mais 1,3 milhão de quilômetros quadrados de território terrestre e 6 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas. Por outro lado, no ritmo atual, em 2030 apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos ecossistemas marinhos estarão protegidos. “Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, destacou Guterres.
Implementação está aquém do necessário
Segundo análise do Global Cooperation Institute, a pedido do WWF, a implementação das metas está atrasada em relação a pontos importantes. Além disso, o nível de ambição continua insuficiente em muitos países. O estudo também aponta que os modelos econômicos atuais aprofundam não só a perda de biodiversidade, mas também as mudanças climáticas, a escassez de água e a insegurança alimentar.
Portanto, é necessário maior esforço internacional para tornar acessíveis financiamento, capacitação e cooperação, especialmente para países ricos em biodiversidade que assumem custos expressivos de conservação. Os impactos econômicos não contabilizados dessas perdas são estimados em US$ 10 a US$ 25 trilhões por ano.
Brasil destaca conectividade entre áreas protegidas
O Brasil tem um papel estratégico na implementação do Marco Global, tanto pela sua vasta biodiversidade quanto por modelos exitosos de conservação. Dessa forma, a delegação brasileira defenderá na COP17 a importância da conectividade ecológica — a criação de corredores verdes e azuis que interligam áreas protegidas.
“Proteger e reconectar paisagens terrestres, rios e ambientes marinhos e costeiros é fundamental para ampliar a efetividade da conservação e alcançar as metas de biodiversidade até 2030”, explica Marcelo Oliveira, diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil.
Com informações da Agência Brasil