Por Redação | Amazônia Realidade
Pesquisa eleitoral divulgada nesta sexta-feira (28/08) foi paga por empresa de consultoria em turismo do interior de MG com capital social de R$ 25 mil — Foto: Arte / Amazônia Realidade
Uma pesquisa eleitoral divulgada nesta sexta-feira (28/08) pela empresa Eficaz Pesquisas & Tecnologia está gerando questionamentos nos bastidores das campanhas no Amazonas — não apenas por seus resultados, mas principalmente por sua origem e financiamento. O levantamento foi contratado e pago pela KS Turis Consultoria em Turismo, empresa registrada sob o CNPJ nº 18.264.177/0001-60, sediada no município de Passos, no interior de Minas Gerais, com capital social declarado de apenas R$ 25.000,00 e pertencente ao turismólogo Kleyber Jorge da Silveira. O valor pago pela pesquisa foi de R$ 37.000,00 — ou seja, 48% superior ao capital social da empresa.
Empresa de consultoria em turismo investe valor superior ao seu capital em pesquisa eleitoral
Os dados cadastrais da KS Turis Consultoria, disponíveis em consulta pública, mostram que a empresa foi fundada em 08/06/2013, tem razão social Kleyber Jorge da Silveira, endereço na Rua Dos Advogados, 111, bairro Belo Horizonte, em Passos (MG), e atividade principal registrada como consultoria em gestão empresarial — sem vínculo declarado com atividades de pesquisa de opinião ou estudos eleitorais. A situação cadastral está ativa. O questionamento que se espalhou entre dirigentes de comitês de campanha no Amazonas é direto: o que levou uma pequena empresa de consultoria em turismo, do interior de Minas Gerais, com capital de R$ 25 mil, a desembolsar R$ 37 mil por uma pesquisa eleitoral especificamente no Amazonas?
Resultados divergem de outros levantamentos e beneficiam candidato específico
O questionamento ganha força quando se observa o conteúdo da pesquisa. O levantamento da Eficaz é uma das poucas pesquisas que coloca o ex-prefeito de Manaus David Almeida em segundo lugar, tecnicamente empatado com Roberto Cidade e Maria do Carmo — um cenário que não aparece nos demais levantamentos realizados no mesmo período por instituições como Quaest, Real Time Big Data, Projeta e Direto ao Ponto. A divergência de resultados, somada à origem e ao financiamento do levantamento, levanta suspeitas sobre a imparcialidade e a motivação por trás do investimento.
Transparência é fundamental para a credibilidade do processo eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras claras sobre a divulgação de pesquisas eleitorais, exigindo transparência sobre quem contrata, quem paga e quais os critérios metodológicos. Quando uma empresa sem vínculo aparente com o estado, com capital social muito inferior ao valor desembolsado, financia uma pesquisa cujos resultados divergem do consenso de outros levantamentos e beneficiam especificamente um candidato, a sociedade tem o direito de perguntar: quem está realmente por trás desse levantamento? Quem assume o custo de uma pesquisa eleitoral tem também a responsabilidade de esclarecer seus reais interesses — especialmente quando o pagamento vem de fora do estado e de um setor alheio à atividade de pesquisa.
A população amazonense merece clareza. Pesquisas eleitorais não são produtos neutros: elas influenciam a percepção do eleitorado e podem alterar o rumo da disputa. Por isso, a origem do financiamento, a metodologia e a total transparência são requisitos indispensáveis. Qual o interesse real de uma empresa de consultoria em turismo de Minas Gerais em pagar R$ 37 mil por uma pesquisa eleitoral no Amazonas? E por que os resultados divergem tanto de todas as outras pesquisas divulgadas até aqui?
Com informações da Redação