Por Redação | Amazônia Realidade
Atendimento neuropediátrico a crianças com TEA está em risco após ação judicial de Maria do Carmo Seffair. (Foto: Arquivo)
Um ato de pura falta de empatia e desrespeito às famílias mais vulneráveis do Amazonas. A candidata ao Governo do Estado pela coligação “Mudar é Urgente”, Maria do Carmo Seffair (PL), decidiu usar a Justiça Eleitoral para tentar barrar os mutirões de saúde que vêm desafogando a fila do Sistema de Regulação (Sisreg), com foco especial nos atendimentos de neuropediatria — área essencial para o diagnóstico e o tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Por interesses políticos, milhares de crianças podem ficar sem atendimento e ter seu desenvolvimento comprometido.
Questionamento político coloca vidas em risco
Por meio do escritório jurídico Sérgio Bringel & Associados, Maria do Carmo ingressou com ação na Corregedoria Regional Eleitoral questionando a realização dos mutirões de consultas e cirurgias, especialmente aqueles voltados a crianças, idosos e pessoas com TEA. A candidata alega que as ações de saúde estariam sendo associadas diretamente à imagem e ao nome do governador Roberto Cidade, e pede que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) apresente relação detalhada de todos os mutirões realizados desde 2022, com dados de cada evento, público-alvo e quantidade de atendimentos.
Paralisação pode causar danos irreversíveis a 10 mil crianças
O que está em jogo não é apenas uma formalidade jurídica, mas o futuro de milhares de crianças. Caso o mutirão de neuropediatria, iniciado no início de agosto nos Caics TEA, seja interrompido, ao menos 10 mil crianças e adolescentes serão prejudicados em todo o Amazonas. A SES prevê 10 mil atendimentos específicos em neuropediatria, além de outros 10 mil atendimentos em multiespecialidades para pessoas com TEA. Interromper agora é jogar fora meses de organização e deixar famílias que esperaram anos por um diagnóstico sem perspectiva.
O tempo é o inimigo das crianças com TEA
O neuropediatra é o profissional responsável por analisar o neurodesenvolvimento infantil, avaliando comunicação, interação social e comportamento. O laudo emitido por esse especialista é o documento legal que garante acesso a direitos fundamentais: tratamentos pelo SUS e por planos de saúde, adaptações escolares, terapias e benefícios sociais. Quanto mais cedo os sinais de alerta são identificados e os estímulos iniciados, maiores são as chances de o cérebro formar novas conexões e a criança se desenvolver plenamente. Atrasar esse atendimento pode causar prejuízos que nenhuma intervenção posterior consegue reparar completamente.
Política acima do bem-estar das famílias
A ação de Maria do Carmo Seffair revela uma escolha clara: priorizar a disputa eleitoral em detrimento da saúde de crianças que não podem esperar. Mães que há anos lutam por um diagnóstico, que correm atrás de vaga em especialista, que fazem filas e pedem ajuda, agora veem uma candidata tentando fechar a única porta que finalmente se abriu. Não se trata de fiscalização — trata-se de bloquear atendimento. E o preço dessa barreira não será pago por políticos: será pago por crianças que perdem tempo de desenvolvimento que nunca retorna.
Com informações da Redação