Por Redação | Amazônia Realidade
A defesa do território argentino uniu diferentes setores da sociedade. (Foto: Paul /Unsplash
Diante de forte pressão social e falta de apoio no Senado, o governo de Javier Milei decidiu retirar da pauta desta quinta-feira (6) o projeto que ampliava a permissão de compra de terras argentinas por estrangeiros. A proposta, apelidada de “estrangeirização das terras”, teve sua resistência amplificada pela memória da Guerra das Malvinas.
O que mudou e o que se pretendia
O texto que seria votado elevava o limite de 15% para 25% da área total de cada província que poderia pertencer a pessoas ou empresas de fora do país. Inicialmente, o governo queria acabar com qualquer restrição, mas essa versão já havia sido moderada. Logo ao assumir, em dezembro de 2023, Milei tentou revogar o limite por decreto, mas a medida foi suspensa pela Justiça.
Memória das Malvinas como catalisador
A campanha ganhou força após a seleção argentina exibir a faixa “As Malvinas são argentinas” em jogo contra a Inglaterra. A conexão entre soberania insular e a possibilidade de estrangeiros adquirirem grandes extensões territoriais sensibilizou a opinião pública. O ambientalista Hernán Hougassian destacou que essa coincidência tornou o tema ainda mais simbólico: “As Malvinas são argentinas, e todo o território também”, diziam cartazes de entidades de ex-combatentes.
Oposição ampla e transversal
Governadores de todas as legendas, artistas como Lali Espósito, Milo J e Nicki Nicole, o jogador Lisandro Martínez e até setores da própria base governista — incluindo a vice-presidente Victoria Villarruel — criticaram a medida. O cientista político Leandro Gabiati avalia que a reação uniu diferentes forças:
“Quando se toca em soberania e posse do território, a sensibilidade é geral”.
O recuo oficial classificou a proposta como “em reavaliação”, sem previsão de retorno. Contudo, o governo manteve a votação de outro ponto do pacote: a permissão para vender áreas protegidas após incêndios florestais.
Riscos ambientais e propriedade privada
Hoje, lei argentina proíbe a venda dessas áreas por pelo menos 30 anos, justamente para evitar que queimadas sejam usadas para especulação imobiliária. O governo argumenta que o prazo é excessivo, mas ambientalistas alertam que a mudança pode incentivar destruição intencional de florestas. A sociedade segue mobilizada contra essa e outras medidas do pacote, como aceleração de despejos e restrições a expropriações.
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