Por Redação | Amazônia Realidade
Idosa sobreviveu dentro de um bolsão de ar sob escombros por mais de dez dias — Foto: Reprodução/Internet
Uma história de resistência chamou a atenção de todo o mundo. A idosa Chandika Kumari Shrestha foi localizada e retirada com vida debaixo dos escombros, onze dias depois que uma avalanche e enchentes devastadoras atingiram a região de Betrawati, no Nepal. O desastre, provocado pelo rompimento de uma geleira, já deixou mais de 1,3 mil mortos e cerca de cinco mil pessoas seguem desaparecidas. O caso impressiona especialistas, pois ninguém esperava encontrar alguém vivo após tanto tempo em condições tão adversas.
Família já vivia o luto
Quando as águas e a massa de detritos avançaram sobre a vila, todos os indícios apontavam que Chandika não havia sobrevivido. Seus familiares já tinham dado início aos rituais tradicionais de despedida, que duram onze dias conforme os costumes locais. A descoberta aconteceu por acaso, enquanto equipes percorriam os destroços de uma edificação de quatro andares que foi arrastada e engolida pela lama movediça. Os agentes ouviram sons vindos de baixo da camada espessa de resíduos e começaram a escavar com cuidado. Em menos de uma hora de trabalho, chegaram até a idosa, que permanecia consciente e abrigada num pequeno espaço onde ainda havia ar respirável.
Ela ficou todo esse tempo cercada por água, barro e materiais que caíram sobre a construção, sem comida e sob temperatura e umidade extremas. Foi levada imediatamente para atendimento médico e, apesar de muito fraca, apresentava quadro estável.
Região transformada em terreno de ruínas
Betrawati foi uma das áreas mais atingidas por todo o vale. O material trazido pela força da água e do gelo se acumulou em camadas tão duras e compactas que se assemelham a concreto. O centro comercial e a maior parte das residências foram praticamente apagados do mapa. Outras vítimas foram encontradas nos dias anteriores, algumas já em estado avançado de decomposição, o que reforçava a ideia de que não haveria mais sobreviventes. Corpos e detritos foram levados por rios por dezenas de quilômetros, obrigando autoridades de outras regiões a realizar enterros coletivos para os corpos não identificados.
Buscas seguem, mas esperança diminui
Passados onze dias da catástrofe, as equipes continuam vasculhando tudo o que resta das comunidades atingidas. Trabalham com ferramentas manuais, abrem caminho por frestas estreitas e fazem barulhos periódicos para tentar detectar qualquer sinal de vida. Em outros pontos, também foram resgatadas mais três pessoas nos últimos dias, entre elas uma criança e um cidadão estrangeiro, todos encontrados em espaços fechados que preservaram ar suficiente para a sobrevivência. Ainda assim, a cada dia que passa, a probabilidade de encontrar mais pessoas vivas diminui, e o esforço passa também a ter como objetivo dar destino digno aos que pereceram.
O caso de Chandika se torna um símbolo: mostra que mesmo em meio à maior destruição, a vida pode resistir de formas que nem mesmo a ciência consegue explicar por completo. A tragédia também alerta para os riscos trazidos pelas mudanças climáticas e o derretimento acelerado das geleiras, tema abordado em reportagens anteriores sobre impactos ambientais globais.
Com informações de dados internacionais e registros oficiais