Por Redação Amazônia Realidade
Maus-tratos ao cachorro Orelha repercutem nacionalmente. Reprodução/Redes Sociais
O caso do cão Orelha entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (26), com o cumprimento de três mandados de busca e apreensão pela Polícia Civil em endereços ligados aos investigados pela morte do cachorro comunitário na Praia Brava, em Santa Catarina.
A operação faz parte das investigações que apuram crimes de maus-tratos e possível coação no curso do processo. Durante a ação, celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à análise pericial.
Segundo a Polícia Civil, os nomes dos investigados não foram divulgados. Pessoas envolvidas no caso também começaram a ser ouvidas ao longo do dia.
Cão comunitário virou símbolo da Praia Brava
Conhecido por moradores e frequentadores da Praia Brava, Orelha era considerado um mascote da região. O cachorro, de cerca de 10 anos, vivia nas proximidades da orla e recebia cuidados da própria comunidade.
O animal foi encontrado gravemente ferido após desaparecer por alguns dias. Uma das pessoas que cuidava dele o localizou caído e agonizando durante uma caminhada.
Orelha chegou a ser levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos causados por agressões, precisou ser submetido à eutanásia.
A Praia Brava mantém três casinhas destinadas a cães comunitários, que se tornaram parte da identidade local. Orelha era um deles.
Investigação apura também possível coação
Além dos locais diretamente ligados ao crime de maus-tratos, os mandados foram cumpridos em endereços associados a adultos suspeitos de tentar interferir no andamento das investigações.
De acordo com informações divulgadas pelo G1, o material apreendido será fundamental para esclarecer a dinâmica do crime e identificar responsabilidades.
A Polícia Civil informou que a apuração segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.
Mobilização por justiça ganha força
A morte de Orelha provocou grande comoção na região e gerou uma onda de mobilizações por justiça.
No dia 17, moradores e protetores independentes realizaram o primeiro ato público na Praia Brava. No último sábado (24), uma nova manifestação reuniu dezenas de pessoas em caminhada, com cartazes e uma oração em homenagem ao animal.
Nas redes sociais, a campanha ganhou visibilidade com a hashtag #JustiçaPorOrelha, impulsionada por imagens de apoiadores segurando placas em defesa do cão.
Caso repercute entre artistas
A repercussão do caso ultrapassou os limites de Santa Catarina e chegou ao meio artístico.
A cantora Ana Castela usou suas redes sociais para demonstrar indignação com a morte do cachorro e reforçou que maus-tratos contra animais são crime.
“Queria dizer para vocês que é crime! Matar cachorro é crime. Estou passando aqui para prestar meu apoio, não só pelo Orelha, mas por todos os outros animais que já sofreram”, declarou.
O comediante Rafael Portugal também cobrou punição aos responsáveis.
“Vai ter que ter justiça. Eles precisam entender que existe consequência”, afirmou.
As atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando a morte do animal e pedindo providências às autoridades.
Crime ambiental e punições previstas em lei
No Brasil, maus-tratos a animais configuram crime ambiental, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais.
O caso de Orelha reforça o debate sobre a necessidade de fiscalização e aplicação rigorosa da legislação para coibir práticas de violência contra animais.
Fonte: Migalhas