Por Redação | Amazônia Realidade
Procurador-geral da Bolívia Roger Mariaca teve visto retirado pelos Estados Unidos — Foto: Pexels
EUA tiram visto de procurador Roger Mariaca, da Bolívia, responsável pela investigação contra o ex-assessor digital de Javier Milei, Fernando Cerimedo. A medida faz parte de um pacote que atinge 26 autoridades de Peru, Colômbia, Equador e Bolívia, anunciado nesta quarta-feira (30/9).
Para começar, o Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio, justificou o cancelamento como apoio à iniciativa “Escudo das Américas”, supostamente voltada ao combate ao narcotráfico. Mariaca foi acusado de “envolvimento em corrupção significativa”, sem apresentação de provas.
Caso Cerimedo no centro da disputa
Além disso, o procurador-geral boliviano é o responsável pela investigação sobre Fernando Cerimedo, operador digital que assessorou o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. Cerimedo foi preso por suposta tentativa de feminicídio e é investigado também por tráfico de drogas, enriquecimento ilícito e operação de rede de desinformação.
Consequentemente, Mariaca afirmou que nenhuma pressão externa vai impedir as apurações. “Sabemos que algumas investigações transcendem fronteiras, como o caso Cerimedo, mas nenhuma interferência pode paralisar a Justiça boliviana”, declarou.
Washington acusa, Bolívia rebate
Por outro lado, o governo dos Estados Unidos alegou que Mariaca aceitou subornos e facilitou o narcotráfico. Em resposta, o procurador rejeitou a interferência externa. “O povo boliviano tem direito à verdade sobre todas as denúncias, incluindo as relacionadas a corrupção”, afirmou.
O governo do presidente Rodrigo Paz classificou as acusações como sérias e vai pedir esclarecimentos aos EUA antes de decidir sobre medidas internas. O porta-voz da Presidência reforçou que o país responderá com institucionalidade.
Vínculos com direita latino-americana
Ademais, Fernando Cerimedo foi agraciado em fevereiro de 2026 com prêmio em evento na residência de Donald Trump, em Mar-a-Lago. A distinção foi entregue por Eduardo Bolsonaro, que também tem articulações políticas com a Casa Branca.
Cerimedo ficou conhecido no Brasil em 2022, ao difundir sem provas a tese de fraude nas eleições brasileiras. É apontado pela revista *The Economist* como “o homem do MAGA na América Latina”, em referência ao movimento de Trump.
Defesa e investigações em curso
A defesa de Cerimedo nega envolvimento no atentado contra a ativista Nadia Beller, classificando o caso como “armação política”. A polícia boliviana encontrou ainda estrutura de “fazenda de cliques” ligada ao investigado, usada para impulsionar conteúdos nas redes sociais.
Enquanto isso, o cancelamento de vistos segue sendo questionado por autoridades dos países atingidos, que classificam a medida como instrumento de pressão política.
Com informações da Agência Brasil